Educação na Pandemia

Quando recebi a notícia sobre o isolamento social - não o dos outros, distantes no Oriente, mas o nosso -, estava assistindo à aula de ballet na escola. Naquele dia, os alunos foram para casa e, de acordo com a informação oficial recebida, retornariam em duas semanas. É claro que isso não aconteceu.


A primeira semana de distanciamento foi marcada por cursos gratuitos e leitura de artigos online. Nenhum deles era sobre literatura. Todos eram sobre educação e, mais especificamente, sobre ensino a distância.


Reformulei os planos para o trimestre. Entrei em contato com uma empresa de confiança para desenvolvermos uma plataforma. Aprendi sobre o site, sobre YouTube, sobre uma lista de programas e aplicativos de poderiam ser úteis. Então, reuni (online) o corpo docente. Era apenas o início da jornada.


Dúvidas, planejamento, replanejamento, gravação, edição, orientação, dúvidas. Muito atendimento ao público. Muitas dúvidas. Pressão.


Minha família contou que comecei a falar dormindo. Uma das frases foi: “eu não tenho como saber de tudo”. Acho que estava falando comigo mesma.


Depois, uma imersão técnica no universo online: inscrição na plataforma, estudante por estudante. Atendimento de familiar por familiar. Tutorial por tutorial.


As duas semanas inicias voaram. Os alunos não estavam de volta ao prédio da escola, mas as aulas retornavam no prazo previsto. E eu aprendia uma lição preciosa sobre educação: na hora da crise, todas as ferramentas que eu tive para resolver problemas vieram da educação que recebi.


Não assisti a uma única aula sobre EaD durante a graduação, mas, desde a casa e a escola, fui ensinada sobre autodidatismo, leitura e interpretação, escrita, raciocínio lógico, capacidade de trabalhar em equipe.


Eu tive a graça de ter bons pais, bons professores e bons livros. Essa tríade foi fundamental para possibilitar o desenvolvimento de habilidades como essas - do tipo que não vão embora depois da prova.


Infelizmente, nem todo mundo tem uma educação assim.